30 de Março de 2015

Viste-me buscar no teu carro, paraste à minha porta e mandaste-me um toque para descer. Acabo de calçar os meus ténis, pego na mala e um “Já venho, mãe”. Entro no carro sem saber qual o destino. Nem tão pouco me interessa. Beijo-te com saudades e deixo o teu cheiro penetrar-me a pele e os fios de cabelo. Seguimos em direcção do nada. A tua maneira de conduzir, com uma mão ao volante e a outra na minha perna, a tua cara de concentração, olhos fixos na estrada e os breves relances que me dás, tudo isto me dá a volta à cabeça. Paramos no miradouro, com o pôr-do-sol a iluminar-nos a face. Encosto-me ao teu braço e aninho-me em ti. Beijas-me a testa e ficamos os dois como num quadro a olhar o horizonte.
Sabes, das coisas que mais gosto de fazer é passear à beira-mar ao anoitecer. Descalço-me no passeio da marginal e vou até à areia molhada. As noites quentes de Julho dão-me sempre para isto. Vou buscar-te a meio do areal, abraçando-te, beijando-te e dizendo que te amo. A Lua Cheia é a nossa única testemunha, olhando-nos aos dois sentados na areia, petrificados no mar e naquilo que nos une.
Amo-te tanto quanto a imensidão do mar.

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